Skip to main navigation Skip to main content Skip to page footer

Recursos

Vitamina D e Diabetes mellitus tipo 2: Evidência e Aplicações Clínicas

Criado por Catarina Sequeira | | Recursos | Diabetes tipo 2 Folheto Informativo

A vitamina D emerge como um potencial fator ambiental na patogénese da Diabetes mellitus tipo 2, com implicações relevantes para a avaliação clínica, intervenção nutricional e estratégias de prevenção.

A importância da vitamina D

A vitamina D, conhecida como a “vitamina do sol”, é uma vitamina lipossolúvel presente em poucos alimentos e maioritariamente sintetizada na pele pela radiação ultravioleta (UV). A sua concentração plasmática depende de múltiplos fatores como a exposição solar, fotótipo cutâneo, obesidade e outras comorbilidades, hábitos culturais (vestuário e padrão alimentar) e algumas fases do ciclo de vida (gravidez, lactação, infância e envelhecimento) (1).

Em Portugal, o estudo de Duarte C. et al.(2020) verificou que mais de 60% dos adultos apresentavam deficiência em vitamina D (25(OH)D < 20 ng/mL), com variação geográfica e sazonal significativa (2).

Vitamina D e Diabetes mellitus tipo 2

A vitamina D tem sido estudada como fator ambiental ambiental na patogénese da Diabetes mellitus tipo 2 (DT2). A deficiência desta vitamina associa-se à disfunção das células β pancreáticas, à resistência à insulina e a alterações na homeostase da glicose, dados que foram identificados recetores de vitamina D em células β no músculo esquelético (3).

O estudo Vitamin D – A New Therapeutic Target in the Management of Type 2 Diabetes Patients” (3) realizado por Albai et al. (2024), teve como objetivo avaliar os níveis de vitamina D (25(OH)D) em doentes com DT2 internados no Hospital Clínico de Emergência do Condado de Pius Brînzeu, em Timisoara (Roménia).

Os autores analisaram possíveis fatores preditivos da deficiência de vitamina D, nomeadamente o controlo glicémico (glicemia em jejum, glicemia pós- prandial e hemoglobina glicada (HbA1c)), complicações associadas à DT2, comorbilidades e outros parâmetros metabólicos e antropométricos. 

Entre os resultados obtidos neste estudo, destaca-se que:

  • 63,8% dos doentes tinham níveis de deficiência de vitamina D. Estes apresentavam valores mais elevados de HbA1c, glicemia em jejum e pós-prandial, eram mais velhos e com maior peso corporal.
  • A relação entre a deficiência de vitamina D e a obesidade poderá dever-se à menor mobilidade e, consequentemente, à menor exposição solar em pessoas com IMC mais elevado. Acrescentam que a obesidade pode comprometer os efeitos da suplementação de vitamina D, devido à diminuição da sua biodisponibilidade a partir de fontes alimentares e da pele, por acumulação na gordura corporal.
  • Verificou-se uma correlação inversa entre os níveis de 25(OH)D e a glicemia em jejum, a glicemia pós-prandial, a HbA1c, a idade e o IMC. Desta forma, concluíram que indivíduos mais velhos, com mau controlo glicémico e obesidade têm maior probabilidade de apresentar níveis mais baixos de vitamina D.
  • Indivíduos com “idade > 55 anos e uma HbA1c > 7,7% representam fatores preditivos estatisticamente significativos para a deficiência de 25(OH)D". Segundo os autores, o modelo de regressão logística desenvolvido neste estudo indica que a idade e o controlo glicémico (avaliado pela glicemia em jejum, glicemia pós-prandial e HbA1c) são fatores preditores significativos do risco de deficiência de vitamina D. Porém, esta deficiência também está correlacionada com outros fatores, nomeadamente com a duração da diabetes, a concentração sérica de ferro e a função renal.
  • Os autores sugerem que a associação entre a idade avançada e o baixos níveis de vitamina D poderá dever-se à menor mobilidade dos indivíduos mais idosos, o que compromete uma adequada exposição solar e, por conseguinte, a síntese cutânea de vitamina D.

Aplicabilidade clínica

Perante a evidência, a vitamina D deve ser considerada na abordagem terapêutica de pessoas com DT2. 

Propõem-se algumas medidas a integrar no acompanhamento nutricional e clínico de utentes com DT2, tais como:

  1. Avaliar regularmente os níveis séricos de vitamina D, em consulta de nutrição.
  2. Orientar a alimentação e o estilo de vida para melhorar o aporte desta vitamina.
  3. Promover atividades ao ar livre que assegurem uma dose segura de exposição solar.

Neste âmbito, foi desenvolvido um folheto informativo com o objetivo de sensibilizar os utentes com DT2 para a importância da vitamina D no seu estado de saúde e no controlo da doença.

Bibliografia

  1. Correia CI, Ribeiro D, Ribeiro CI, Nobre EL, Martin-Martins J. A Vitamina D na Diabetes Mellitus Tipo 2. 2021;16(1):13–24.
  2. Duarte C, Carvalheiro H, Rodrigues AM, Dias SS, Marques A, Santiago T, et al. Prevalence of vitamin D deficiency and its predictors in the Portuguese population: a nationwide population-based study. Arch Osteoporos. 1 de Dezembro de 2020;15(1).
  3. Albai O, Braha A, Timar B, Golu I, Timar R. Vitamin D—A New Therapeutic Target in the Management of Type 2 Diabetes Patients. J Clin Med. 1 de Março de 2024;13(5).