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Nutrição Clínica

Diabetes tipo 2 e Padrões Alimentares

A intervenção nutricional é fundamental no controlo metabólico da diabetes. Entre os padrões alimentares mais estudados, a dieta Mediterrânica, as dietas à base de plantas e a dieta DASH apresentam evidência relativa aos seus benefícios, nomeadamente pela melhoria do controlo glicémico, da resistência à insulina e de fatores de risco cardiovascular.

Alimentação como estratégia preventiva e terapêutica da Diabetes tipo 2

A alimentação desempenha um papel essencial na prevenção e no tratamento da diabetes, influenciado diretamente o controlo glicémico, o peso corporal e a saúde cardiovascular. No entanto, a escolha do padrão alimentar mais adequado nem sempre é fácil, exigindo uma análise cuidada, baseada na evidência científica e nas preferências individuais.

Entre os padrões alimentares mais estudados no contexto da diabetes, destacam-se a dieta Mediterrânica, as dietas de base vegetal e a dieta DASH. Estes padrões, apesar de distintos, apresentam benefícios comprovados na gestão da diabetes e na melhoria da qualidade de vida (1).

Dieta Mediterrânica

Típica dos países da bacia do Mediterrânico, a dieta Mediterrânica é caracterizada por um elevado consumo de alimentos de origem vegetal, como produtos hortícolas, fruta, cereais, leguminosas e frutos oleaginosos. O azeite constitui a principal fonte de gordura utilizada na confeção e no tempero dos alimentos, sendo igualmente privilegiado o uso de ervas aromáticas em detrimento do sal. Este padrão alimentar incentiva o consumo frequente de pescado, moderado de lacticínios e de vinho tinto às refeições principais e baixo de carnes vermelhas. Valoriza ainda a escolha de produtos locais, frescos e sazonais, bem como a convivialidade e partilha durante a refeição (2).

A adesão à dieta Mediterrânica tem demonstrado benefícios na gestão da diabetes, nomeadamente na redução da glicemia pós-prandial, na melhoria da resistência à insulina, na diminuição dos valores de HbA1c e na manutenção de um peso corporal saudável. Estes efeitos resultam, sobretudo, do elevado teor em fibra proveniente dos cereais integrais, leguminosas e fruta, bem como da presença de compostos anti-inflamatórios e antioxidantes nos produtos hortícolas (3).

Dietas de base vegetal (plant-based)

As dietas de base vegetal, vulgarmente conhecidas como dietas plant-based, incluem os padrões alimentares cuja base assenta no consumo predominante de cereais, produtos hortícolas, frutas, frutos oleaginosos, sementes e produtos derivados. Entre estas destacam-se as dietas vegetarianas, que excluem o consumo de carne, as dietas ovolactovegetarianas, que incluem os lacticínios e os ovos, e as dietas veganas, que excluem todos os produtos de origem animal (4).

Quando nutricionalmente adequadas, as dietas de base vegetal podem proporcionar benefícios na prevenção e gestão da diabetes, atribuídos ao elevado teor em fibra, ao baixo índice glicémico dos alimentos que lhes são característicos e ao reduzido teor em gordura saturada. Estes fatores contribuem para a melhoria do controlo glicémico e redução dos níveis de colesterol LDL. Porém, apesar de fornecerem vitaminas e minerais essenciais, as dietas de base vegetal não fornecem naturalmente vitamina B12, presente quase exclusivamente em alimentos de origem animal. Atualmente, alguns cereais, bebidas vegetais e outros alimentos de origem vegetal são fortificados com esta vitamina. Contudo, é fundamental garantir o seu aporte adequado e averiguar, em conjunto com o profissional de saúde, a necessidade real de suplementação para prevenir eventuais carências (3).

Dietary Approaches to Stop Hypertension (DASH)

A dieta DASH (Dietary Approaches to Stop Hypertension, traduzido em Abordagem Alimentar Contra a Hipertensão) foi inicialmente desenvolvida para a prevenção e controlo da hipertensão arterial. No entanto, os seus benefícios superam este objetivo, sendo atualmente reconhecida como um padrão alimentar equilibrado e adequado para a população adulta em geral. Este padrão promove o consumo de produtos hortícolas, frutas e lacticínios magros, como também de cereais integrais, pescado, carnes magras, leguminosas e frutos oleaginosos. A par desta abundância, incentiva a restrição do consumo de sal, presente em produtos alimentares processados e industrializados, e de carnes vermelhas. Nutricionalmente, a dieta DASH é rica em potássio, cálcio, magnésio, fibra e proteínas de alta qualidade, sendo também pobre em sódio e gorduras saturadas (5,6).

Estudos demonstram que a adesão à dieta DASH promove a melhoria da sensibilidade à insulina, com efeitos positivos na glicemia em jejum e na glicemia pós-prandial. As fibras alimentares provenientes dos produtos hortícolas, frutas e cereais integrais, retardam a absorção dos hidratos de carbono e, consequentemente, ajudam a controlar a glicemia. O cálcio, o potássio e o magnésio fornecidos pelos lacticínios magros, cereais integrais e frutos oleaginosos, estão associados à melhoria da sensibilidade à insulina. Os ácidos gordos polinsaturados e os compostos antioxidantes encontrados no pescado, frutos oleaginosos e produtos hortícolas, são capazes de minimizar o stresse oxidativo e, por isso, contribuir para a redução da resistência à insulina. Desta forma, a dieta DASH incentiva o consumo de alimentos nutricionalmente ricos que, em conjunto, induzem um efeito sinérgico no controlo glicémico (6).

Considerações finais

A escolha do padrão alimentar mais adequado para a pessoa com diabetes deve considerar os fatores individuais, preferências alimentares e necessidades nutricionais específicas. 

Os três padrões alimentares descritos partilham entre si o princípio de priorizar o consumo de alimentos de origem vegetal, integrais e com baixo grau de processamento. São estes, de facto, que promovem a melhoria da glicemia, pela riqueza em fibra e micronutrientes essenciais. Associados a gorduras de boa qualidade, como os ácidos gordos monoinsaturados (presente no azeite) e polinsaturados (provenientes do peixe e frutos oleaginosos), estes nutrientes contribuem para o controlo glicémico, regulação do perfil lipídico e manutenção de um peso corporal saudável. ´

Independentemente da escolha, é essencial que a adesão a um padrão alimentar sejam acompanhada por um nutricionista, que vise garantir uma alimentação equilibrada e adequada às necessidades da pessoa com diabetes.

 

Este texto foi desenvolvido durante o estágio curricular na Associação Protetora dos Diabéticos de Portugal (APDP), com visa à sua publicação na edição de dezembro da revista Diabetes - Viver em Equilíbrio.

Bibliografia

  1. ElSayed NA, McCoy RG, Aleppo G, Balapattabi K, Beverly EA, Briggs Early K, et al. Facilitating Positive Health Behaviors and Well-being to Improve Health Outcomes: Standards of Care in Diabetes. Diabetes Care [Internet]. 1 de Janeiro de 2025;48(Supplement_1):S86–127. Disponível em: https://diabetesjournals.org/care/article/48/Supplement_1/S86/157563/5-Facilitating-Positive-Health-Behaviors-and-Well
  2. Direção-Geral da Saúde. Dieta Mediterrânica [Internet]. [citado 22 de Maio de 2025]. Disponível em: https://alimentacaosaudavel.dgs.pt/dieta-mediterranica/
  3. Salvia MG, Quatromoni PA. Behavioral approaches to nutrition and eating patterns for managing type 2 diabetes: A review. American Journal of Medicine Open. Junho de 2023;9:100034.
  4. Jardine MA, Kahleova H, Levin SM, Ali Z, Trapp CB, Barnard ND. Perspective: Plant-Based Eating Pattern for Type 2 Diabetes Prevention and Treatment: Efficacy, Mechanisms, and Practical Considerations. Advances in Nutrition. 1 de Novembro de 2021;12(6):2045–55.
  5. Sociedade Portuguesa de Hipertensão. Alimentação Saudável [Internet]. [citado 22 de Maio de 2025]. Disponível em: https://sphta.org.pt/alimentacao-saudavel/
  6. Shirani F, Salehi-Abargouei A, Azadbakht L. Effects of Dietary Approaches to Stop Hypertension (DASH) diet on some risk for developing type 2 diabetes: A systematic review and meta-analysis on controlled clinical trials. Vol. 29, Nutrition. 2013. p. 939–47.
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